domingo, 19 de agosto de 2012

Classificação dos Fonemas: vogais, semivogais e consoantes

Nas palavras componentes da língua portuguesa apresentam-se três tipos de fonemas: vogais, semivogais e consoantes.

As VOGAIS são os sons que se formam quando a corrente de ar vinda dos pulmões não sofre nenhum tipo de interrupção. Ou seja, as vogais são sons que chegam livremente ao meio exterior. Podem apresentar-se sob as formas: 

VogaisVariações
aã, á, etc.
eê, é, etc.
ií.
oô, ó, etc.
uú.


A vogal é sempre a base sonora da sílaba. Assim sendo, não existe sílaba sem vogal; nem tampouco haverá duas vogais em uma mesma sílaba. Note os exemplos:

me – ni - no
a – mei - xaou – tro
          l     /
          l      /  \        /
Vogais
Vogais
Vogais


As SEMIVOGAIS são consideradas semivogais o i e o u quando aparecem ligados a uma vogal, formando sílaba com ela. As semivogais são pronunciadas mais “fracamente” que as vogais. Observe:

cai – xa
    \
Semivogal


 A classificação de i ou u como vogal ou como semivogal depende da sílaba em que eles aparecem. Se forem a base da sílaba funcionam como vogais, mas se estiverem ligados a uma vogal funcionam como semivogais. Também são semivogais o e com som de i e o o com som de u. Como em:

e
irmão
            l
      l
Semivogal
Semivogal




As CONSOANTES são sons que se produzem quando a corrente de ar vinda dos pulmões sofre alguma interrupção em sua trajetória em direção ao meio exterior. As consoantes são: b, c, d, etc. Veja os exemplos:

me – ni – noa – mei - xaou - tro
 \       l    /
       \      /
        l
Consoantes
Consoantes
Consoantes




                                   CLASSIFICAÇÃO DAS VOGAIS


As vogais da língua portuguesa são classificadas segundo os critérios:
1° Intensidade;
2° Papel das Cavidades Bucal e Nasal;
3° Zona de Articulação;
4° Timbre.

1° INTENSIDADE


(considera-se a força com que a vogal é emitida)


A palavra morada apresenta duas vezes a vogal a, mas apesar de receberem a mesma representação gráfica possuem sonoridade diferente; isso ocorre devido à intensidade com que são pronunciadas. Separando as sílabas da palavra, percebemos que a sílaba ra é pronunciada com maior intensidade que as demais: é uma sílaba tônica. A vogal dessa sílaba, /a/, é uma vogal tônica. A outra vogal da palavra morada é uma vogal átona.

Assim sendo sabemos que:

• Vogal Tônica é aquela pronunciada com maior intensidade.
• Vogal Átona é aquela pronunciada com intensidade menor que a da tônica.



Em língua portuguesa toda palavra com mais de uma sílaba terá, necessariamente, uma vogal tônica. Há sete possibilidades de ocorrência de vogal tônica em português:

Quadro das Vogais Tônicas
Vogal Tônica
Transcrição Fonética
Exemplos
a
[a]
Bala, sofá, máximo, casado, fá, ata, etc.
ê
[e]
Medo, refresco, você, etc.
é
[ε]
Reta, caneca, café, peca, etc.
i
[i]
Misto, isto, aqui, etc.
ó
[ᴐ]
Apóio, oca, pote, amora, vovó, só, etc.
ô
[o]
Apoio, oca, potro, namoro, vovô, etc.
u
[u]
Único, mudo, carnudo, urubu, nuca, etc.


Por outro lado, há cinco possibilidades de ocorrência de vogal átona em português:

Quadro das Vogais Átonas
Vogal Átona
Transcrição Fonética
Exemplos
a
[a]
Casa
e
[e]
Negar
i
[i]
Lidar
o
[o]
Pomar
u
[u]
lutar


Note que em quase todo o território brasileiro a vogal átona final e corresponde ao fonema /i/ e não /e/. Comprove isso pronunciando as seguintes palavras:
 • Leve [/l/ /ε/ /v/ /i/];
• Hoje [/o/ /j/ /i/];
• Quase [/k/ /w/ /a/ /z/ /i/];
• Bebe (verbo beber) [/b/ /ε/ /b/ /i/].

No entanto, esse fenômeno, conhecido como “redução da vogal e”, não ocorre com a vogal tônica final e. Observe: Bebê [/b/ /e/ /b/ /ê/]


Pode ocorrer também a representação do fonema /i/ pela letra e, sempre que essa letra for inicial, átona e seguida s:
• Escada [/i/ /s/ /k/ /a/ /d/ /a/];
• Esperar [/i/ /s/ /p/ /e/ /r/ /a/ /r/];
• Escolher [/i/ /s/ /k/ /o/ /ג/ /e/ /r/].
  

2° PAPEL DAS CAVIDADES BUCAL E NASAL


Quando a corrente expiratória escapa somente pela boca, produzem-se as vogais orais. Se parte do ar se desvia para as fossas nasais, produzem-se as vogais nasais. Portanto, quanto ao papel das cavidades bucal e nasal, a vogal pode ser classificada como oral ou nasal. Tanto as vogais tônicas quanto as átonas podem ser orais ou nasais.

Os dois quadros anteriores apresentam as vogais orais. Veja o quadro das vogais nasais:

Quadro das Vogais Nasais
VogalTranscrição Fonética
Exemplos
Tônica
Átona
Ã
[ã]
MantoCantava
[ẽ]
MentaAcendimento
[ỉ]
MintoImploro
õ
[õ]
MontaComputador
[ủ]
MundoUmbanda


3° QUANTO À ZONA DE ARTICULAÇÃO


(as vogais são articuladas em diferentes regiões da boca.)
 
Para o estudo da zona de articulação das vogais, divide-se a boca em três regiões: posterior, média e anterior. Na palavra mocinha ocorrem as vogais o, i e a.
• O o é articulado quando a língua vai em direção ao palato mole, perto da garganta. É uma vogal posterior;
• O a é pronunciado com a língua abaixada, em estado de quase repouso. É uma vogal média;
• Para pronunciarmos o i elevamos a língua em direção ao palato duro, perto dos dentes. É uma vogal anterior.

Classificação das Vogais Quanto à Zona de Articulação
Anteriores ou Palatais
[ε] – levo.
[e] – temo.
[ẽ] – mente.
[i] – risada, vi.
[ỉ] – tímpano, vinte.

Centrais ou Médias
[a] – carro, batida.[ã] – anta, câmara, pão.
Posteriores ou Velares
[ᴐ] – ótimo, mole.
[o] – hoje, pendor.
[õ] – ponte, lombo.
[u] – rumo, arrumar, tatú.
[ủ] – bumbo, atum, junto.


4° QUANTO AO TIMBRE


 O timbre é o efeito acústico provocado pela ressonância da vogal na boca. Como essa ressonância decorre do grau de abertura bucal, as vogais são classificadas como abertas, fechadas e reduzidas.


• Vogais Abertas: surgem quando ocorre a abertura máxima da boca, como em sofá, café, avó, etc.
• Vogais Fechadas: surgem quando ocorre um estreitamento do tubo de ressonância, ou seja, uma abertura mínima da boca. Como em ipê, avô, duro, etc. São fechadas todas as vogais nasais.
• Vogais Reduzidas: são as vogais finais átonas /e/ e /o/, que se reduzem na fala; soam como /i/ e /u/.
Ex.:
Teve [/t/ /e/ /v/ /i/];
Bobo [/b/ /o/ /b/ /u/].

Nas palavras componentes da língua portuguesa apresentam-se três tipos de fonemas: vogais, semivogais e consoantes. Na aula passada aprendemos a classificar as vogais, hoje classificaremos semivogais e consoantes.


Algumas vezes os fonemas /i/ e /u/ não atuam como vogais, mas sim como SEMIVOGAIS. Isso ocorre quando esses fonemas aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma só sílaba. Observe nos exemplos abaixo:


As semivogais são transcritas à maneira dos fonemas que não são representados graficamente, ou seja, como /y/ e /w/:

• Bem = /b/ /ẽ/ /y/;• Foram = /f/ /o/ /r/ /ã/ /w/;

• Porém = /p/ /o/ /r/ /ẽ/ /y/;

• Deram = /d/ /ε/ /r/ /ã/ /w/.


Compreenda isto observando a análise fonética das palavras seguintes:
• Uma = /ủ/ /m/ /a/;• Vácuo = /v/ /a/ /k/ /w/ /u/;

• Deslizou = /d/ /e/ /s/ /l/ /i/ /z/ /o/ /w/;

• Mãe = /m/ /ã/ /y/;

• Despedir = /d/ /e/ /s/ /p/ /e/ /d/ /i/ /r/;

• Mão = /m/ /ã/ /w/;

• Adorei = /a/ /d/ /o/ /r/ /e/ /y/;

• Põe = /p/ /õ/ /y/;

• Miado = /m/ /y/ /a/ /d/ /u/;

• Pão = /p/ /ã/ /w/.




Quadro das Semivogais Orais
Crescentes (quando a semivogal vem antes da vogal)
Semivogais
Transcrição Fonética
Exemplos
eo, io
[yo]
Férreo, gênio, etc.
ea,ia
[ya]
Rósea, ausência, etc.
ie
[ye]
Cárie, barbárie, etc.
ao, ua
[wa]
Páscoa, língua, etc.; Coalhar, magoar, etc.
ue
[we]
Tênue, bilíngue, etc.
uo
[wo]
Vácuo, indivíduo, etc.
Decrescentes (quando a semivogal vem depois da vogal)
Semivogais
Transcrição Fonética
Exemplos
ai
[ay]
Vai, baile, etc.
au
[aw]
Automóvel, aurora, etc.
éi
[ey]
Pastéis, carretéis, etc.
ei
[ey]
Lei, reino, etc.
éu
[ew]
Véu, réu, etc.
eu
[ew]
Comeu, reumatismo, etc.
iu
[iw]
Sumiu, rio, etc.
oi
[oy]
Dois, biscoito, etc.
ói
[ᴐy]
Faróis, andróide, etc.
ou
[ow]
Ouro, tesouro, etc.
ui
[uy]
Gratuito, possui, etc.



Quadro das Semivogais Nasais
Crescentes (quando a semivogal vem antes da vogal)
Semivogais
Transcrição Fonética
Exemplos
uan
[wã]
Quanto, minguante, etc.
uen
[wẽ]
Freqüente, cinquenta, etc.
uim
[wỉ]
Pinguim, ruim, etc.
Decrescentes (quando a semivogal vem depois da vogal)
Semivogais
Transcrição Fonética
Exemplos
Ãi, ãe
[ãy]
Cãibra, mãe, etc.
AM, ao
[ãw]
Falam, órfão, etc.
Em, ẽi
[ẽy]
Cem, hein, etc.
Oe
[õy]
Põe, corrimões, etc.
ủi
[ủy]
Muito.

No entanto, quando o ar expelido pelos pulmões encontra obstáculos à sua passagem (língua, dentes, lábios) produzem-se os fonemas conhecidos como CONSOANTES. Estas classificam-se segundo:
a) Papel das cavidades bucal e nasal;c) Modo de articulação;

b) Papel das cordas vocais;

d) Ponto de articulação.



1° PAPEL DAS CAVIDADES BUCAL E NASAL



• Consoantes Orais surgem quando a corrente de ar expiratória escapa apenas pela cavidade bucal.

• Consoantes Nasais surgem quando parte do ar escapa pelas fossas nasais.

Do quadro geral de consoantes da língua portuguesa, são nasais m /m/; n /ŋ/ e /n/. As demais são orais.
Obs.: O fonema /ŋ/ aparece em palavras como lenha, manhã, etc.

2° PAPEL DAS CORDAS VOCAIS



Na produção dos fonemas, as cordas vocais podem vibrar ou não. Se as cordas vocais vibram, o ar passa pela faringe e, por via da úvula, é distribuído para a boca ou para as fossas nasais. Os fonemas sonoros resultam desse mecanismo. É o que acontece, por exemplo, com o fonema /b/.


No entanto, se as cordas vocais permanecem em repouso, o ar passa sem vibração, produzindo os fonemas surdos. É o que acontece com o fonema /f/, por exemplo.

Assim sendo, as consoantes podem ser surdas ou sonoras. Observe isso pronunciando as palavras abaixo:

Par = /p/ /a/ /r/Na produção do /p/ as cordas vocais não vibram, trata-se de uma consoante surda.

Dar = /d/ /a/ /r/

Na produção do /d/ as cordas vocais vibram. Trata-se de uma consoante sonora.


Encontram-se fonemas surdos nas palavras: tia, calo, fila, gato. Encontram-se fonemas sonoros nas palavras: dia, galo, vila, gado. 

Quanto ao papel das cordas vocais, as consoantes podem ser:

Surdas:/f/, /k/, /p/, /s/, /t/, /∫/.
Sonoras:

/b/, /d/, /g/, /Ʒ/ (jeito, agitar), /l/, /ג/ (pilha, centelha), /n/, /ŋ/ (farinha, fronha).



3° MODO DE ARTICULAÇÃO


Na pronúncia das consoantes pode ocorrer um dos seguintes modos de articulação:


a) Oclusivas: ocorre uma interrupção momentânea da corrente expiratória, pela aproximação completa de dois órgãos da boca, seguida do afastamento rápido desses órgãos e da expulsão do ar contido. Pelo fato de ocorrer uma oclusão num determinado momento da articulação, as consoantes assim produzidas são chamadas de oclusivas. É o que acontece, por exemplo, na produção das consoantes /b/, /d/, /g/, /p/, /t/, /k/.


b) Constritivas: ocorre uma interrupção momentânea e parcial da corrente expiratória, pela aproximação incompleta de dois órgãos da boca, o que obriga o ar a comprimir-se para passar pela fenda estreitada resultante dessa aproximação incompleta dos dois órgãos. Como ocorre uma compressão, uma constrição, em determinado momento da articulação dessas consoantes, elas são chamadas de constritivas. É o que ocorre na produção das consoantes /f/, /v/, /s/, /z/, /∫/, /l/, /ג/, /r/, /R/. 

Obs.: Alguns linguistas empregam /r/ e /R/ para diferenciar a pronunciação de palavras como reagir [/R/ /e/ /a/ /j/ /i/ /r/] e beirada [/b/ /e/ /i/ /r/ /a/ /d/ /a/].


As constritivas recebem nomes específicos, segundo o modo como se dá o escape do ar:

a) Fricativas – resultam da passagem ruidosa do ar pela fenda formada no aparelho fonador. O ruído produzido assemelha-se a um barulho de fricção. Observe: 
/f/ – feto, ínfimo;/z/ – zero, azedo;
/v/ – veto, invento;/∫/ – chapéu, enxame;
/s/ – sal, ácido;

/Ʒ/ – jeito, agitar.


b) Laterais – o ar escapa pelos dois lados da cavidade bucal: 
/l/ – fala, cala;

/ג/ – falha, calha.


c) Vibrantes – a corrente expiratória faz vibrar a língua ou o palato mole: 
/r/ – caro;

/R/ – carro.



4° PONTO DE ARTICULAÇÃO


A realização das consoantes pode ocorrer em diversos pontos da boca. De acordo com esses pontos, que indicamos na classificação, as consoantes podem ser:
a) Bilabiais: lábio contra lábio. Observe: 
/p/ – pata;

/b/ – bata;

/m/ – mata.



b) Labiodentais: lábio inferior contra dentes superiores. Observe:
/f/ – foto;


 


/v/ – voto.


c) Linguodentais: língua contra dentes superiores. Observe:
/t/ – tela;

/d/ – dela

/n/ – nela.



d) Alveolares: ponta da língua contra os alvéolos (parte do palato duro mais próxima dos dentes). Observe:
/s/ – selo, caça, exclamar, etc.;

/z/ – zelo, casa, exato, etc.;

/l/ – leite, etc.;

/r/ – duro, etc.



e) Palatais: dorso da língua contra palato duro (céu da boca). Observe:
/∫/ – fecho, xarope, etc.;

/Ʒ/ – agitar, jabuti, etc.;
/ג/ – telha, etc.

/ŋ/ – ninho, senha, etc.;



f) Velares: parte posterior da língua contra o palato mole. Observe:
/k/ – cabra, quebra, etc.;/R/ – rato, arrumar, etc.;
/g/ – gato, guerra, etc.

 



                                                                 QUADRO DAS CONSOANTES
Papel das Cavidades Bucal e Nasal                     Orais
Nasais
Modo de Articulação
Oclusivas
Constritivas



Oclusivas
Fricativas

Laterais

Vibrantes



Papel das cordas vocais
Surdas
Sonoras
Surdas
Sonoras
Sonoras
Sonoras
Sonoras

Ponto ou Zona de Articulação

Bilabiais
/p//b/
/m/
Labiodentais
/f//v/
Linguodentais
/t//d//n/
Alveolares
/s//z//l//r/
Palatais/∫//Ʒ//ג//ŋ/
Velares/k//g//R/


Referências Bibliográficas
CÂMARA, Joaquim Matoso. Estrutura da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.
CALLOU, Dinah; Yonne. Iniciação à fonética e a fonologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
CUNHA, Celso & CINTRA, L. A nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
MATEUS, Maria Helena Mira (org). Fonética, fonologia e morfologia do português. 1. Ed. Lisboa: Universidade Aberta, 1990.
SILVA, Thais Cristofaro. Exercícios de fonética e fonologia. São Paulo: Contexto, 2003.
SILVA, Thais Cristofaro.. Fonética e fonologia do português: roteiro de estudos e guia de exercícios. São Paulo: Contexto, 2007.

4 comentários:

Ótimo! Bastante claro e didático.

perfeito muito bom!!!! otimo para estudar para realizar uma excelente prova..


Odiei!!!
Nao vai ajudar nem um pouco na prova
AVISO: hoje e primeiro de ABRIL dia da MENTIRA

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